Combate e vigilância à violência infantil

04 Maio 2021

Quando o assunto é violência infantil, é preciso sempre estar atento. Os fatos mostram que ela está presente, das mais variadas formas, nos barracos das periferias, mas também nos condomínios e apartamentos de luxo.

Talvez de forma velada, disfarçada, contida, mas também de forma clara e escancarada. Basta ter sensibilidade para ver e fazer os enfrentamentos que se fazem necessários.

O recente caso do menino Henry Borel, amplamente divulgado na mídia, traz à tona essa questão tão séria que aflige crianças que vivem em situação de vulnerabilidade. “A corda arrebenta sempre do lado mais fraco” diz o adágio popular e os fatos, infelizmente, atestam.

Há muita violência praticada disfarçada de educação. Mas há também educação negligenciada que é violenta: educar exige cuidado, vigilância, atenção e sensibilidade. Para educar é preciso investimento de tempo, de afeto e de cuidado.

A violência, seja ela física, psicológica, sexual, por abandono ou negligência sempre gera pessoas inseguras, emocionalmente adoecidas, desesperançadas da vida, com dificuldades de expressar amor, de serem empáticas e de confiar nas relações.

Toda e qualquer pessoa que esteja em situação de risco e de fragilidade, precisa ser protegida. Assim nascem as leis. Elas determinam direitos, deveres, regem e controlam os comportamentos humanos, colocando um limite claro entre o permitido e o inaceitável.

De um caso também inaceitável nasceu a Lei “Menino Bernardo”, mais conhecida como a lei da palmada. Em um de seus trechos está que  “a criança e o adolescente têm o direito de ser educado e cuidado sem o uso de castigos físicos ou qualquer tratamento cruel ou degradante, como forma de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto”. Cito a referida lei, no sentido de comprometer e responsabilizar a toda e qualquer pessoa adulta, imbuída do dever de cuidar da infância e com a obrigação moral de exercê-la.

Quando se trata de crianças é preciso estar em alerta porque elas sempre sinalizam quando algo não está bem. Se elas não dizem por palavras, o fazem por meio de um desenho, do choro fácil, do comportamento arredio, irritadiço, do isolamento, da agressividade, da tristeza, da recusa em brincar, do sono agitado e outros tantos sinais. Diante de uma mudança brusca de comportamento, é preciso perguntar e investigar a fundo o que está acontecendo.

Casa e escola, além de serem espaços de aprendizado e convivência, são também lugares de proteção. Cabe aos educadores e cuidadores uma escuta amorosa, olhar aguçado, observação atenta e iniciativa para buscar as instâncias de proteção. Denunciar a violência explícita e implícita requer reconhecimento e coragem.

 

Ivone Aparecida Pereira

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